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ESPECIAL: O perfil do investidor do sul

O investidor da região sul tem um perfil inusitado: alia características inovadoras com um estilo cauteloso, desconfiado - e bairrista

No mercado de capitais, o investidor do sul costumava ter fama de conservador. Produto de uma região calcada no agronegócio e na indústria, era tido como um sujeito mais talhado para as lides do campo e da fábrica.

E, portanto, menos afeito ao cada vez mais sofisticado mercado financeiro, onde adotava sempre postura cautelosa. É claro que se tratava de uma visão estereotipada e, por isso, exagerada.

A percepção sobre o investidor do sul no mercado financeiro hoje destoa bastante desse figurino. Quando comparado à média brasileira, é definido como um perfil arrojado, bem informado e antenado para novos tipos de aplicações - o oposto do cego perdido no tiroteio do fluxo de capitais. No entanto, restam algumas características que podem ser enquadradas como conservadoras: a tendência de privilegiar empresas da região na bolsa de valores e de manter os papéis na mão por bastante tempo, a prática de destinar uma parcela maior da renda à previdência privada e a fidelidade às seguradoras, por exemplo.

Para elaborar as características do investidor do sul, AMANHÃ entrevistou alguns dos principais players do mercado financeiro no país (bancos, corretoras de valores, seguradoras, empresas de previdência privada). O perfil que emerge nesta reportagem é de uma pessoa arrojada e inovadora, mas, ao mesmo tempo, cautelosa e, por vezes, conservadora.

Um dos pontos surpreendentes é o hábito de algumas instituições financeiras de usar o sul como campo de provas para novos produtos. O Santander fez isso com o Fundo Capital Protegido, uma sofisticada aplicação multimercado lançada no ano passado. O curitibano Arion Chagas Júnior aplicou quase metade das suas economias no fundo e cogita despejar mais dinheiro se a opção se revelar proveitosa. "A gente tem de experimentar", defende Chagas (ver quadro "Arion, o inovador").

"Quem mora no sul tem o costume de se informar sobre os novos produtos e não teme aquelas alternativas de maior risco. Esse apetite é grande quando são lançamentos sofisticados e desconhecidos", garante Sinara Polycarpo, superintendente de investimentos do Grupo Santander Brasil. A instituição não revela detalhes sobre a penetração dos produtos inovadores no sul, mas deixa uma pista.

A postura aberta a novidades e ao risco vem acompanhada de uma fome de informações. A busca por conhecimento é ampla: tipos de aplicações e os respectivos rendimentos, situação das empresas listadas em bolsa e detalhes dos seus setores, dados macroeconômicos em geral. As corretoras do centro do país percebem claramente a curiosidade aguçada do investidor do sul. É o caso da carioca Ágora, uma das maiores corretoras do Brasil. "Notamos que há muitos acessos da região em nosso site, diariamente. Os clientes do sul também fazem muitos pedidos de palestras", conta Helio Pio, diretor comercial da Àgora, que conta com16 mil clientes nos três Estados do sul.

Bem informados, os investidores da região também perguntam muito sobre as opções de aplicações - contribuindo para o aperfeiçoamento de alguns desses produtos. "Já recebemos visitas de clientes de Curitiba, cujas discussões foram muito elaboradas. Ao fim de uma reunião como essa, a gente sai com mais informação do que entrou e, às vezes, leva questionamentos para a mesa de trabalho", conta Carolina Falzoni, estrategista de investimentos da Credit Suisse Hedging-Griffo. A característica é observada também por Sinara Polycarpo, do Grupo Santander. "O grau de crítica é muito maior. O pessoal do sul não se contenta com explicação pela metade", assegura.

Os entrevistados desta reportagem são unânimes ao apontar o motivo para o perfil exigente: o elevado nível socio-econômico dos 25 milhões de habitantes da região, conhecida pela boa qualidade de vida e pelo nível educacional diferenciado. Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul possuem, por exemplo, um PIB per capita de R$ 14 mil, enquanto a média nacional é de R$ 12,4 mil.

Empresa da esquina

O desejo de conhecer detalhadamente os meandros de cada aplicação é um dos fatores que levam os investidores do sul a preferir as companhias da própria região na bolsa. Outro aspecto é a proximidade e a relação afetiva, pontos que contam até mesmo em um ambiente frio e racional como o do mercado de capitais. "O sul é conhecido pelo seu forte traço empreendedor, o que faz com que a comunidade se reconheça nesta qualidade e se comprometa com a empresa, comprando uma fatia dela", aponta Luis Fernando Moran de Oliveira, diretor executivo de comunicação do Instituto Brasileiro de Relações com Investidores (IBRI) e diretor de RI da fabricante de motores Weg, de Jaraguá do Sul (SC). Segundo Oliveira, a prática de privilegiar companhias locais é menos comum em São Paulo, principal centro financeiro do país. O executivo observa ainda que, graças ao fenômeno, as empresas sediadas do Paraná para baixo costumam ter uma maior quantidade de acionistas pessoa física, se comparadas com as de outras regiões do Brasil.

Na Weg, 16% dos 15 mil investidores residem em Santa Catarina. Na Copel, a companhia de energia elétrica do Paraná, o índice é maior: 22,7% dos detentores de ações estão no Estado - são quase 6 mil pessoas no total. "No fundo, há aquele orgulho pelo fato de a companhia ser da região", detecta Débora Morsch, diretora da corretora Solidus, de Porto Alegre. Mas não se trata de um orgulho míope e apaixonado. Por conhecer de perto a empresa, o investidor percebe o potencial de crescimento. "Eles compram porque acompanham o trabalho da companhia", atesta Leandro Correa, operador-geral de bolsa da operação de Joinville da XP Investimentos. Dos 150 clientes que a XP tem em Jaraguá do Sul, por exemplo, cerca de 25% possuem papéis da Weg ou de outras empresas da cidade.

Elton Hoffmann, empresário de 23 anos de Jaraguá do Sul, tem na sua carteira papéis da Weg e da Marisol, ambas do município. Graças à proximidade, Hoffmann às vezes fica sabendo de informações que se revelam preciosas para a decisão de investimentos. Certa vez, boatos davam conta de que a Weg registrou um aumento no número de pedidos. Ele não teve dúvidas: comprou mais ações da companhia (ver o quadro "Elton, o bairrista").

Além de regionalista, o investidor do sul também é fiel - não só às companhias locais, mas aos papéis em geral. Os poupadores da região costumam ficar com as ações por mais tempo, se comparados aos de outras praças. "Muitos enxergam as ações como um patrimônio para o futuro", explica Afonso Arno Arnhold, diretor do Banco Geração Futuro, de Porto Alegre.

O bairrismo e a fidelidade - traços de conservadorismo - contrastam com uma atitude arrojada nas decisões no mercado de capitais. De acordo com as corretoras e bancos ouvidos por AMANHÃ, a carteira média do investidor pessoa física do sul reúne 60% de aplicações de renda variável e 40% de renda fixa. O padrão no Brasil é meio a meio. A crise alterou um pouco ambas as gangorras, a sulista e a brasileira, mas a tendência é de que se volte aos mesmos patamares. É importante ressaltar que, somado todo o capital que gira no mercado financeiro - incluindo as operações entre bancos e os capitais de fundos nacionais e estrangeiros -, 80% das aplicações se concentra na renda fixa.

Uma pesquisa conduzida pela Trade Network, empresa que realiza em dez capitais brasileiras o evento Expo Money, concluiu que o habitante do sul se expõe mais ao risco. De acordo com o estudo, que mede o apetite para arriscar-se, 11,3% dos brasileiros se enquadram no perfil arrojado. No sul, esse índice sobe para 13%. Além disso, o estudo mostra que 31% dos investidores da região se enquadram na categoria "atuantes" - isto é, diversificam os investimentos, entendem profundamente o mercado e acompanham de perto as oscilações da bolsa. No resto do país, o índice de atuantes é de 26,7%.

A pesquisa da Expo Money revela ainda diferenças entre os aplicadores das capitais do Paraná, de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul. O habitante de Florianópolis é mais avesso ao risco. É aquele que mais coloca dinheiro em poupança (60%). Os porto-alegrenses (42%) e os curitibanos (40%) aplicam menos na caderneta. "Os catarinenses têm menos afinidade com o mercado de ações e, por isso procuram bastante a poupança", aponta Robert Dannenberg, presidente da Trade Network. Na Bovespa, os catarinenses respondem por uma fatia de 21% das contas do sul. O Paraná soma 35% das contas e o Rio Grande do Sul, 44%.

O curitibano e o porto-alegrense diversificam mais os investimentos. Os aplicadores de ambas as capitais dão preferência às ações e aos fundos de renda variável em relação a imóveis e fundos de renda fixa. A queda gradual da taxa Selic vai estimular o mercado como um todo a procurar alternativas de retorno variável, uma vez que a rentabilidade da renda fixa tende a murchar. Nesse ponto, portanto, o investidor do sul está saindo na frente - principalmente os gaúchos e paranaenses.

Aplicação acessória

As opções de renda fixa são tratadas pelos investidores do sul como um complemento. Tal como recomenda a cartilha dos especialistas, é costume na região diversificar os investimentos - e aí não há diferença para o perfil brasileiro. Como no resto do país, também no sul a prioridade na renda fixa vai para a poupança, diversos fundos de renda fixa e CDBs (Certificado do Depósito Bancário) - nesta ordem.

Obviamente, existem os investidores que preferem a segurança do retorno fixo. Luiz Gonzaga Mota, diretor de administração de recursos de terceiros do Banrisul, desenha o perfil do poupador dessa modalidade - é aquele que quer a garantia do ganho, ainda que não seja polpudo. Essa pessoa tem mais de 40 anos, já conseguiu juntar um bom patrimônio e não quer arriscar perder o que já foi conquistado. No Banrisul, 75% dos clientes de renda fixa atravessaram a fronteira dos 40.

No quesito renda fixa, outro ponto que chama a atenção dos operadores de mercado é a elevada procura, no sul, por títulos públicos. Além de oferecer segurança, essa modalidade pode funcionar como moeda de troca por ações de empresas. Em períodos de incerteza, o aplicador pode se resguardar em títulos do governo - e convertê-los em papéis da bolsa tão logo passe a tormenta.
Na opinião de Helio Pio, diretor da Corretora Ágora, a preferência pelos títulos públicos revela, mais uma vez, o perfil bem informado do investidor do sul, mais apto a jogar com suas aplicações conforme a maré. "As pessoas se aproveitam melhor do conhecimento que têm sobre uma gama de produtos financeiros e isso passa a ser um diferencial importante", aponta Pio.

Para toda a vida

O perfil fiel aparece claramente nos mercados de previdência privada e de seguros. E isso vale tanto para os clientes pessoa física quanto jurídica. A Café Iguaçu, do Paraná, e a Whirlpool, que tem fábrica em Santa Catarina, são clientes da Bradesco Vida e Previdência desde 1981. "O sul é uma região onde nossos produtos sempre tiveram um apelo muito grande nos segmentos pessoa física e jurídica", atesta Lúcio Flávio de Oliveira, diretor-geral da Bradesco Vida e Previdência.

A lealdade também é traço notado por Alexandre Malucelli, vice-presidente da J. Malucelli Seguradora, de Curitiba. "Não é por qualquer proposta que eles mudam de companhia", conta Malucelli, que também ressalta a transparência do cliente na hora de detalhar as informações pessoais. No fundo, está a confiança de que a companhia contratada vai cumprir sua parte. Aqui aparece mais uma característica da população do sul: a necessidade de segurança. Traço que destoa do arrojo e comportamento inovador em outras tomadas de decisões. "O bem-estar é algo que pesa muito na balança do pessoal daqui", observa Ernesto Pedroso, presidente do Conselho de Administração da Previsul (Companhia de Seguros Previdência do Sul), com sede em Porto Alegre.

O sulista também é precavido. A fatia de mercado da região no segmento de previdência privada atinge 20%. É uma parcela bem maior do que a participação do sul no PIB brasileiro, de 16%. O grupo espanhol Santander, por exemplo, tem um volume de contratos de previdência 15% maior do que a média nacional. "Há uma percepção de que é necessário se antecipar ao futuro", diz Lúcio Flávio de Oliveira, da Bradesco Vida e Previdência.

O VGBL (Vida Gerador de Benefício Livre) - cujo imposto incide apenas sobre os rendimentos obtidos - é a modalidade de plano de previdência que tem maior destaque no Brasil e no sul. O produto respondeu por 73,9% da captação alcançada no ano passado, atingindo um total de R$ 23,5 bilhões.

Muitos caminhos

No mercado de imóveis, o maior diferencial do sul está mesmo na participação da região nesse segmento. Segundo dados da Federação Nacional dos Corretores de Imóveis (Fenaci), o sul responde por 20% do mercado imobiliário brasileiro. Uma parcela maior que a fatia da região no PIB.

De maneira geral, o comportamento do aplicador que busca no imóvel uma forma de ganhar dinheiro não difere do resto do Brasil. Sabe-se que esse tipo de investimento oferece um retorno apenas razoável. O aluguel, por exemplo, rende em média, a cada mês, 0,7% do total investido. Uma taxa baixa, se comparada a outras opções. O investimento nesse segmento se torna realmente interessante se há valorização dos imóveis. Uma das formas clássicas de se obter rentabilidade é adquirir empreendimentos em regiões menos nobres que, com o desenvolvimento das cidades, valorizam-se.

Segundo os analistas ouvidos por AMANHÃ, no sul, é bastante comum o investidor construir para, depois, vender. Estima-se que essa alternativa renda de 25% a 30% sobre o capital aplicado. É um procedimento indicado para locais com economia mais sólida. Outra opção comum é a aquisição de terrenos a serem permutados por apartamentos ou salas com construtoras. A lucratividade, neste caso, pode chegar a até 100% do montante investido.

Ricardo Batista, diretor comercial da construtora Doria Goldsztein Cyrela, de Curitiba, revela outra prática que vem ganhando adeptos no sul. O investidor compra, parcelados, três ou quatro apartamentos de um prédio residencial recém-lançado. Como a velocidade de venda é alta, depois de ter pago algumas parcelas, ele consegue repassar os imóveis cobrando até o dobro do valor gasto até então. Em cada "repasse", o investidor consegue lucrar até R$ 10 mil. "A fórmula está em conseguir ganhar, mesmo que seja pouco, mas com várias operações", explica Batista. Está aí mais uma prática que só pode ser qualificada de "arrojada".

Um inovador, um bairrista e outro previdente: veja, abaixo, três exemplos de investidores do sul

Arion, o inovador

Até junho, o procurador Arion Mozart Chagas Junior, 49 anos, era um investidor comum. Ele tinha todo o seu capital investido em CDB. Depois de ser apresentado ao Capital Protegido, fundo de investimento do Santander baseado em aplicações multimercado, Arion resolveu experimentar. Prepare-se, porque a modalidade é sofisticada. O investidor aplica seu capital no fundo e deixa parado lá por pelo menos 18 meses. Se a bolsa cair, aplica-se, como ganho, o mesmo percentual da queda. Por exemplo, um tombo de 10% na bolsa vira uma valorização de 10% no capital de Chagas. Caso a perda seja maior do que 20%, o investidor recebe o mesmo valor aplicado. Hoje, o procurador do município de Curitiba tem 48% de suas economias nesse fundo. Chagas é aquele tipo de investidor que está sempre procurando novidades - desde que elas deem um bom retorno, claro. "A gente tem de experimentar investimentos novos, até para poder comparar com outros tipos de aplicações", ensina. Ele está entusiasmado com o brinquedo novo e, caso o investimento alcance sua expectativa, ele cogita investir mais dinheiro no Capital Protegido. O procurador segue alguns procedimentos para escolher entre as novidades que encontra no mercado. Primeiro, informa-se sobre todos os detalhes envolvendo o investimento. Depois, pesa o potencial de retorno e a margem de segurança que a aplicação dá. Arion costuma ligar de três a quatro vezes por mês para o gerente de sua agência. Na conversa, procura saber como estão seus investimentos ou simplesmente discutir outro assunto que esteja na pauta do dia na economia brasileira. "Espero que o gerente tenha capacidade de indicar as melhores opções", revela.

Elton, o bairrista

Informação privilegiada. Este é o principal ativo de um investidor que escolhe obter papéis de companhias cuja sede fica na cidade onde mora. É o caso do empresário catarinense Elton John Hoffmann, 23 anos. Ele é um bairrista assumido. Desde fevereiro, quando debutou na bolsa,o jovem tem em carteira ações da Weg e da Marisol, ambas de Jaraguá do Sul, além da Vale. O capital veio de um plano de previdência Junior que foi feito pelo pai quando Elton ainda era criança. "São companhias que monitoro de cima", conta. Ao sair à noite, em uma roda de conhecidos, pode encontrar um funcionário que dê uma notícia em primeira mão. O fato acontece, aliás, com bastante frequência. Já foram duas oportunidades envolvendo a fabricante de motores elétricos Weg. Na primeira, em março, Elton soube que os pedidos de mercadorias haviam aumentado. Não teve dúvidas: comprou mais ações. Três meses depois, ouviu que a empresa começou a demitir alguns funcionários. Dessa vez, vendeu quase 40% dos papéis que tinha - e obteve lucro. Não vendeu todas porque a ideia é permanecer com parte das ações da Weg por 12 anos ou até mais. Outra facilidade de estar perto da sede da empresa é poder participar das assembleias abertas. Se depender dos estudos que está fazendo, a carteira de ações de Elton deve ficar mais regional. Ele pensa em se tornar acionista da Gerdau e também da fabricante de computadores Positivo Informática, de Curitiba. Para entrar no mercado de ações, Elton estudou por quatro anos. Ele também procura se informar em sites especializados. Por dia, o jovem investidor recebe ao menos 13 e-mails com notícias sobre empresas e relatórios setoriais. Elton se enxerga como um perfil agressivo, mas adverte que o preparo é vital. "É bom ser cauteloso. Com o tempo e acúmulo de experiência, dá para adotar uma estratégia mais arrojada."

Eduardo, o previdente

Eduardo Duarte de Macedo, 26 anos, é o típico investidor que se preocupa, desde muito cedo, com o futuro - característica marcante nos habitantes do sul. E não é de agora que Eduardo resolveu fazer o plano de previdência. Desde os 23 anos, pelo menos, ele vem pensando nesse assunto. Natural de São Gabriel (RS), o primeiro-tenente se mudou em janeiro para Porto Alegre, com sua esposa, Ana Carolina. Filho de militar formado em Ciências Contábeis, Eduardo via o pai fazendo os planejamentos mensais ou planos para poder comprar a casa própria. O fato o motivava. "Ele nunca me disse que eu deveria poupar, mas sempre deu o exemplo", recorda. Hoje, Eduardo paga um plano de previdência PGBL (Plano Gerador de Benefício Livre) do GBOEX. Por força de contrato, o total somente poderá ser sacado dentro de 30 anos. Todo mês, ele retira 5% de seu salário para compor esse investimento. Eduardo também planeja aumentar o valor da parcela que desembolsa logo que tiver mais condições financeiras. Dessa forma, engorda o montante a ser resgatado no futuro. Além de planejar adquirir um imóvel próprio, Eduardo busca ainda uma aposentadoria tranquila. Precavido, também possui uma caderneta de poupança. Ele afirma que prefere investir em um produto que não tenha muito risco, mesmo que o rendimento seja baixo. "Não é preciso ter olho grande", adverte. "Mas, no momento que tiver dinheiro sobrando, o ideal é aplicar mais."

Os gigantes optam pela segurança

Se o perfil do investidor do sul é inovador e aberto ao risco, o mesmo não se pode dizer dos fundos de pensão fechados - aqueles ligados a grandes empresas públicas e privadas. Os fundos do sul costumam adotar posição mais conservadora do que os do resto do país. A região tem, no total, 59 entidades (15,9% do total do país). Somados, esses fundos têm, em caixa, R$ 27,6 bilhões. Entre os principais, estão a EletroCEEE, a Celos (dos funcionários da Celesc) e a Fundação Copel. A performance dos fundos do sul no ano passado foi melhor, se comparada a grandes players como o Previ, do Banco do Brasil, e o Valia, da mineradora Vale. O Previ obteve rentabilidade negativa de 11,4%. A Valia, por sua vez, estacionou em 0,19%. A Fundação Copel alcançou rendimento de 0,88%, enquanto a EletroCEEE ganhou 1,04%. No Brasil, a rentabilidade de todos os fundos ficou negativa em 1,62%. "Os fundos do sul tiveram uma performance melhor, pois se caracterizam por serem mais moderados em investimentos de renda variável. Assim, foram menos atingidos pela crise", explica José Guilherme Fardin, diretor da Fardin Atuarial. Fardin acrescenta que, com a queda da Selic, os fundos terão de adotar uma postura mais agressiva para buscar maior retorno nos investimentos.

ARRISCAR E PREVENIR
As características do investidor do sul em cada modalidade de aplicação

Mercado de ações e outros fundos variáveis
Comportamento:
- Muitas vezes, privilegia papéis de empresas com sede no sul. Não raro, tem na carteira ações de companhias da cidade onde mora;
- Comparado com o investidor brasileiro, tem o costume de segurar as ações por mais tempo, mirando no longo prazo;
- Estuda o mercado de ações e se informa bastante sobre setores e empresas. Corretoras com sede no centro do país comentam que os investidores da região demandam mais informações e são mais exigentes que os de outros locais;
- Na cesta de aplicações, não hesita em optar por fundos com maior risco, se enxergar ganho no futuro.

Renda fixa
Comportamento:
- Modalidade vista por muitos aplicadores do sul como complementar às opções de renda variável;
- Há demanda maior do que em outras regiões por títulos públicos, que podem servir como moeda na compra de ações;
- Segue a cartilha dos especialistas ao diversificar os investimentos entre imóveis, poupança, CDBs e fundos multimercado (que misturam ações e renda fixa);
- Atrai investidores de uma faixa etária mais elevada e que já acumularam mais patrimônio. No Banrisul, por exemplo, 75% dos clientes de renda fixa têm mais de 40 anos.

Previdência
Comportamento:
- Os habitantes do sul investem mais em previdência privada, proporcionalmente, do que os de outras localidades;
- Predomina o VGBL, cujo imposto incide apenas sobre os rendimentos obtidos.

Imóveis
Comportamento:
- O investidor do sul vê o Imóvel como uma aplicação complementar;
- O investidor do sul tem o costume de construir para depois vender;
- O investidor do sul tem adotado a prática de se tornar sócio de incorporadoras na compra de terrenos.

Seguros
Comportamento:
- Não muda facilmente de seguradora ou plano;
- O plano de vida é o que tem mais saída;
- Especialistas acreditam que um plano de previdência privada com seguro de vida agregado pode obter bons resultados no sul, em função do perfil precavido que predomina na região;
- É mais detalhista ao passar informações pessoais.

 

Fonte: Marcos Graciani / Redação de AMANHÃ

 

 


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